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Plano de volta às aulas do governo do estado causa preocupação

Entidades representativas dos docentes são contra a retomada agora

Na terça-feira (11/08), o governo do Estado apresentou uma proposta de retorno das aulas presenciais. A apresentação foi feita aos integrantes da Famurs - Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul – em reunião virtual.

O retorno gradual e escalonado das aulas a partir de 31 de agosto, para as redes pública e privada dos municípios com bandeiras amarela ou laranja, obedeceria o seguinte calendário:

31/8 – Ensino Infantil (público e privado)
14/9 – Ensino Superior (público e privado)
21/9 – Ensino Médio e Técnico (público e privado)
28/9 – Ensino Fundamental – anos finais (público e privado)

O governador Eduardo Leite explicou que é uma sugestão que ainda será debatida pelas 27 associações regionais de municípios e analisada novamente em reuniões que ocorrerão ao longo das próximas semanas. Mesmo assim, a proposta gerou uma série de manifestações de entidades relacionadas à educação.
 

Entidades manifestam contrariedade

FAMURS - O presidente da Famurs e prefeito de Taquari, Maneco Hassen, se mostra muito preocupado. Afirma que é preciso avaliar um panorama de todos os municípios, que há elementos vagos na proposta e que o tema precisa ser amplamente debatido. A Famurs compromete-se a realizar uma pesquisa com os municípios sobre o tema.  

UNDIME - A União dos Dirigentes Municipais de Educação do Rio Grande do Sul – UNDIME/RS, entidade representativa das(os) secretárias(os municipais de educação dos 497 municípios gaúchos emitiu nota oficial sobre a posição da entidade, defendendo que as aulas presenciais somente voltem a acontecer se houver condições, iniciando pela educação superior e com planejamento prévio.
 

Representações dos professores protestam

CPERS – REDE ESTADUAL - A presidente do CPERS, sindicato que representa os professores da rede estadual do RS, Helenir Aguiar Shürer, declara indignação. “É uma irresponsabilidade o governo estadual propor o retorno das atividades presenciais enquanto o número de mortes aumenta”, afirmou em entrevistas aos veículos de comunicação.

SINDISERV – REDE MUNICIPAL - Silvana Piroli, presidente do Sindicato dos Servidores Municipais, que inclui os professores, destaca que em Caxias do Sul ainda não há planejamento para o retorno presencial, não existem ações e protocolos que garantam a segurança dos estudantes. Para ela, é preciso ouvir o que dizem os especialistas. “O ano letivo pode ser recuperado, mas vidas perdidas não”, destaca.

SINPRO/CAXIAS – REDE PRIVADA – Lourdes Bender, que representa o Sinpro/Caxias no Centro de Operações de Emergências em Saúde Municipal (COE), afirma que as instituições de ensino ainda estão definindo seus protocolos de segurança e que o sindicato atuou, desde o início da pandemia, para preservar a vida e a saúde dos docentes. “O Sinpro/Caxias recebe muitas manifestações de professores preocupados e com medo de um retorno sem a precaução necessária, não vamos concordar com o retorno às atividades presenciais com riscos. A escola não é isolada da sociedade e sua reabertura terá impacto para todos”, explica.
 

Pais não se sentem seguros

Conforme o jornal Correio do Povo, pesquisas prévias sobre a retomada realizadas entre pais de escolas privadas trouxeram questionamentos sobre sua concordância em assinar termos eximindo os estabelecimentos de responsabilidades em caso de contágio.

Aline Kerber, da Associação de Pais e Mães pela Democracia, afirma que a posição atual do governador contraria resultados da pesquisa feita por ele mesmo em 30 de julho. Aline é socióloga e coordena a pesquisa Educação na Pandemia – sobre o impacto do novo coronavírus na educação gaúcha. “A nossa pesquisa, realizada pelo Comitê da Crise Educacional do RS e Associação Mães e Pais pela Democracia aponta que a comunidade escolar não quer o rodízio. Para que pesquisas se a tomada de decisão vai na contramão do que as pessoas querem?”, pergunta.
 

Infectologistas ficaram surpresos

Em matéria na Gaúcha ZH, o infectologista Alexandre Zavascki, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e consultor para assuntos de Covid-19 na Sociedade Riograndense de Infectologia (SRGI), declarou que a sugestão de retorno do governo do estado ocorre no pior momento da pandemia de coronavírus no RS. Alexandre questiona duramente, dizendo que o governo não entendeu o problema da pandemia ou não tem prioridade para a vida.

Já o infectologista André Luiz Machado, também integrante da SRGI, alertou: “Retomar as atividades agora é temerário, estamos no auge da pandemia e fomentando o aumento da circulação de pessoas. A receita é explosiva”. Para o infectologista, antes de pensar no retorno às aulas, o governo do Estado deveria elaborar um procedimento operacional padrão, englobando escolas públicas e privadas, dando o passo a passo para minimizar o dano à comunidade escolar.
 

Secretário diz que a palavra final é dos prefeitos

O secretário estadual da Educação, Faisal Karam, deixou claro que os prefeitos darão a palavra final para o retorno nos municípios. “Não será uma imposição. Estamos sugerindo um calendário e, se o quadro do contágio por coronavírus não apresentar um achatamento da curva, tudo será revisto. A autonomia de levar os filhos para a escola é dos pais. Se preferirem não fazer isso, será necessário que o Estado e os municípios busquem alternativas para a continuidade da educação. Os prefeitos terão a autonomia para, dentro da realidade da sua cidade, decidir se há condições para o retorno presencial”, afirmou em entrevistas.