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No mundo e em Caxias: mulheres protagonistas da mobilização social

Manifestação contra o feminicídio, em frente ao Fórum de Caxias do Sul

Com destaque para a greve na Espanha, uma manifestação sem precedentes com a participação de milhões de mulheres, o Dia Internacional da Mulher teve diversos e significativos atos ao redor do mundo, até mesmo em países muçulmanos, como Turquia, Iraque, Arábia Saudita e Afeganistão. Na América Latina, a Argentina liderou o movimento, com grandes mobilizações.

Aqui no Brasil, os protestos se multiplicaram em dezenas de cidades, das mais variadas formas.

O jornal El País faz um balanço muito qualificado, leia no link ao final da matéria. 


Caxias do Sul viveu semana intensa

A cidade de Caxias do Sul teve uma semana intensa a partir da pauta feminista e social. O Sinpro/Caxias apoiou a programação organizada coletivamente no Fórum da Mulher Caxiense. Assim, o dia 8 de março iniciou com lideranças denunciando, na Câmara de Vereadores, a realidade das mulheres. Representando o Fórum, Azenira Lazarotto, vice-presidente do Sindilimp, abordou a desigualdade, a violência e o feminicídio, chamando a atenção também para as reformas do governo Temer que prejudicam especialmente as mulheres trabalhadoras. “A violência contra a mulher, infelizmente, aumenta. Uma mulher é assassinada a cada duas horas no país. No 8 de março, a televisão mostra momentos belos, mas pouco se fala dessa triste realidade que a ronda”, lamentou a dirigente.

A vereadora Denise Pessoa, que assumiu na ocasião a Procuradoria Especial da Mulher, destacou a gritante exclusão das mulheres dos espaços de decisão política e econômica e convocou todas a ampliar essa participação. “Não existe uma democracia onde as mulheres não tenham espaço e voz”, ponderou Denise.

Ainda durante a manhã, os movimentos sociais de Caxias realizaram um protesto na Praça Dante Alighieri, por democracia, soberania, contra as reformas e pelo fim da violência. Diversos segmentos estiveram representados. 

"As mulheres gritam alto para superar a condição desigual que vivem - que as adoece, as mata e precariza seu trabalho. É preciso mais solidariedade, justiça, novas formas de relação com o mundo e com a natureza", destacou Fabíola Papini, uma das integrantes da Marcha Mundial de Mulheres em Caxias do Sul.

“Este é um momento de luta e viemos participar junto com os outros movimentos sociais, para reivindicar menos violência, menos feminicídios”, afirmou Gisela Bertoldo, administradora e também integrante da Marcha. “Vivemos um momento de retrocessos nas lutas sociais. As pessoas têm dificuldade para se liberarem dos seus compromissos nas empresas, nos locais de trabalho, mas também existe muito individualismo. Algumas não se dão conta de que este é um momento muito importante para as mulheres”, concluiu.


DENUNCIANDO A VIOLÊNCIA

À tarde a mobilização continuou. A "Performance Corpos - em memória das vítimas do feminicídio", lembrou a triste realidade que coloca o Brasil em 7º lugar entre as nações mais violentas para as mulheres, num universo de 83 países: o número de assassinatos de mulheres cresceu 6, 51% de 2016 para 2017 (4.201 mortas em 2016 e 4.473, em 2017, conforme dados oficiais dos estados). Somente em Caxias do Sul, no ano passado, ocorreram sete casos de feminicídio.  As jovens Scheila Xavier, Nil Cremer e Taís Leite atuaram como mulheres vítimas de violência, chocando os transeuntes, em frente ao Fórum, na Câmara de Vereadores e na praça Dante.

Concentradas novamente na praça central da cidade, as mulheres assistiram uma intervenção de Tina Andrighetti, que recitou um poema de Brecht, “A Infanticida Marie Farrar", que trata da questão social que envolve o aborto: “Marie Farrar, nascida em abril / Falecida na prisão de Meissen / Mãe solteira, condenada, pode lhes mostrar / A fragilidade de toda criatura”, diz o poema.

Em seguida Tefa Polidoro deu vida à personagem Ternurinha, mostrando com graça e emoção uma dura realidade. “Comecei a criar a Ternurinha junto com minha pesquisa de doutorado que busca trabalhar o grotesco, o feminino e feminismos”, explicou Tefa, que além de atriz é doutoranda na Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina). “Ternurinha existe desde 2009, mas foi a partir de 2016, quando veio a frase da Marcela Temer, ‘bela, recatada e do lar’, que a personagem cresceu, pois destoa muito disso em todos os âmbitos. Comecei a usar a Ternurinha para questionar os padrões e a partir disso comecei a me aproximar de mulheres em situação de rua e em situação de vulnerabilidade social. Hoje, um dos feminismos que abordo é justamente este da mulher em situação de vulnerabilidade”, relatou.

No fim da tarde, houve apresentação de dança cigana e encerramento com batucada da Marcha Mundial de Mulheres e uma atividade de integração.

“Acho importante estar aqui neste 8 de Março, para as pessoas se conscientizarem de que todos podem lutar por seus direitos. Ainda existe muita discriminação contra as mulheres, mesmo entre os jovens. Em todos os lugares somos discriminadas, há coisas que não devemos fazer, coisas que não devemos falar, não podemos ter opinião, por sermos mulheres”, destacou Rochele Souza, trabalhadora.

A
ÇÕES SIGNIFICATIVAS

Outras iniciativas deram fôlego à semana, entre elas:

- o evento do Sindicato dos Metalúrgicos na manhã de 8 de março, na sede da entidade, com palestra da ATM Caxias e da UJS -  e na noite do mesmo dia, a discussão sobre “Os efeitos do Golpe no aprofundamento das desigualdades de gênero”, com palestra da União Brasileira de Mulheres.

-  o debate sobre o impacto das reformas trabalhista e da previdência realizado no sábado pela manhã pelo Sindilimp, Sindicomerciários e SESC, na sede deste;

- a abertura da semana na segunda-feira, com integração e apresentação do Coro em Si (Coral dos Servidores Municipais) e a roda de chimarrão com apresentação de Maracatu no sábado à tarde, no Parque dos Macaquinhos, promovidas pelo Sindiserv.

O saldo é importante: Caxias do Sul acompanhou e contribuiu com a pauta que tomou conta do planeta neste mês de março. 

Verifique as imagens das atividades na Galeria 


Leia o Balanço do jornal El País sobre as mobilizações do Dia Internacional da Mulher

Foto: Karine Endres