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Caso FSG: Educação não pode ser mercadoria!

Caso FSG: Educação não pode ser mercadoria

A notícia de que a Faculdade da Serra Gaúcha (FSG) foi vendida pelo fundo de private equity (que compra participações em empresas) Advent para o grupo educacional paulista Cruzeiro do Sul, infelizmente, não surpreende. A transação envolve R$ 340 milhões, conforme noticiam as editorias de economia e negócios de todo o país. A Advent, fundo que tem o objetivo único de lucro para os seus acionistas, havia comprado a Faculdade por R$ 100 milhões em março de 2015. Iludiu-se quem acreditou que a intenção da Advent era melhorar e ampliar a estrutura da instituição, como noticiado na época.

Com as novas aquisições, o grupo Cruzeiro do Sul passa a atender mais de 220 mil alunos em 16 instituições de ensino presencial, além de 400 polos de educação a distância. Essa concentração em oligopólios é um dos fatores dos ganhos extraordinários no mercado educacional. Outros fatores que contribuem para o lucro é a financeirização do setor, ou seja, a abertura de capital na Bolsa de Valores, além da gestão das instituições como empresas, buscando educação em grande escala e custos mínimos (isso envolve, entre outros elementos, a precarização das relações de trabalho com docentes e funcionários). E quem controla o grupo Cruzeiro do Sul? Ainda os fundadores brasileiros, mas 40% das ações já pertencem a um fundo financeiro de Cingapura.

Essa é apenas uma pincelada do quadro que o Sinpro/Caxias tem denunciado ao longo dos anos. E a situação se agrava a partir da Reforma Trabalhista, materializando-se no sucateamento das relações trabalhistas, fechamento de postos de trabalho e uma educação massificada, desprovida do significado social que deveria ter. No final de 2017, centenas de professores foram demitidos no país, uma amostra dos prejuízos da submissão da educação aos interesses do capital.

 

JORNADA CONTRA A MERCANTILIZAÇÃO

A questão é: Educação é um bem público ou uma mercadoria? O texto constitucional brasileiro afirma que a educação é um direito social e um dever do Estado. Mesmo assim, o mercado avança vorazmente.

Por isso, a Contee (Confederação dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Enisno) e a UNE (união Nacional dos Estudantes) vão realizar juntas, entre 19 de fevereiro e 2 de março, a “Jornada contra a mercantilização e em defesa da educação pública”. A ação visa a mobilizar estudantes, professores, auxiliares e técnicos administrativos na luta contra a reforma trabalhista, as demissões em massa nos estabelecimentos de ensino superior — como as ocorridas no fim do ano passado — e a privatização e mercantilização da educação no país.