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Aula Pública na UCS discutiu as várias consequências do golpe de 2016

Aula publica na ucs discutiu as varias consequencias do golpe

A Aula Pública na Universidade de Caxias do Sul (UCS), organizada pelos Diretórios Acadêmicos e Comitê pela Democracia na UCS, iniciou às 18h20min do dia 3 de maio, no Centro de Convivência. O horário, estrategicamente posicionado entre os turnos vespertino e noite, contribuiu para que o número de estudantes, professores, funcionários e mebros da comunidade caxiense marcassem presença, sinalizando aumento em relação ao quorum da primeira aula do gênero, organizada na Universidade há dois anos. O professor Ramon Tisott, da direção do Sinpro/Caxias, foi um dos coordenadores da atividade que discutiu o Golpe de 2016 e a nova onda conservadora.  



A primeira a manifestar-se foi a professora Luciene Jung de Campos, do curso de Psicologia, falando sobre  “O peso que nos obriga a levantar”. Em seguida, o professor Carlos Roberto Winckler, do curso de Sociologia, falou sobre “O golpe de 2016 em perspectiva latino-americana”. A terceira apresentação coube ao professor João Ignacio Pires Lucas, especialista em Ciência Política, que falou sobre a “A dimensão política do golpe”. Na sequência, o professor Sergio Graziano, do curso de Direito, falou sobre  “A dimensão penal do golpe”. O professor Alvaro Benevenuto Jr. , do curso de Jornalismo, assumiu em seguida, falando sobre  “A dimensão midiática do golpe”.

No segundo bloco da Aula Pública, o tema em discussão foi “Os impactos do golpe e da onda conservadora que o seguiu". Manifestaram-se, então, os professores: Vanderlei Carbonara, do curso de Filosofia, que abordou a variável educação; Daniela Duarte Dias, do curso de Psicologia, que discutiu aspectos da saúde; Patrícia Cruz, do curso de Arquitetura e Urbanismo, que falou sobre o tema direito à cidade e Caetano Sordi, professor de Antropologia, que abordou a questão das minorias.

Os trabalhos da Aula Pública foram conduzidos pela acadêmica Ramona Fagundes, diretora  Centro Acadêmico dos Estudantes de História (CAEHe) e pelo professor Ramon Tisott, diretor do Sinpro/Caxias.

Encerradas as apresentações dos temas programados, um grupo de alunos, professores e alguns membros da comunidade acadêmica deram início a uma “roda de conversa”, que deverá ter continuidade na próxima quinta-feira, também no horário vespertino e está aberta a todos.

O texto acima foi elaborado pelos integrantes do Prisma Jornalismo Colaborativo e teve leves alterações (e título) realizadas pela comunicação do Sinpro/Caxias. Verifique o original AQUI.  
A foto é de Anthony Beux Tessari, historiador, professor de História da Fotografia na UCS. 
Na página do Prisma também consta um texto do professor Diego Gnata, com o objetivo de contribuir com as reflexões da aula pública. Reproduzimos aqui:

 


 

O golpe na saúde das brasileiras e dos brasileiros

Diego Gnatta Farmacêutico
Professor do Curso de Farmácia da UCS

A VIII Conferência de Saúde, realizada em 1986, foi um dos principais momentos da luta pela universalização da saúde no Brasil e contou com a participação de diferentes atores sociais implicados na transformação desse tipo de serviço. Reuniram-se acadêmicos, profissionais da área de saúde, movimentos populares de saúde e sindicatos. O conjunto dessas forças impulsionou a Reforma Sanitária, que obteve sua maior legitimação com a promulgação da Constituição Federal de 1988. Em 1990, a Lei 8080 dispôs sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde e a organização e funcionamento dos serviços correspondentes. O SUS é ÚNICO e é das/para  brasileiras e brasileiros.

O SUS está calcado em 3 princípios – algo que não pode ser “quebrado”. Os princípios éticos/doutrinários representam os alicerces desse importante Sistema. Quais são? Universalidade, Equidade e Integralidade. Ou seja, o SUS deve atender as demandas dos mais necessitados para que atinjam a igualdade e deve preocupar-se com todas as necessidades dos indivíduos, famílias e comunidades. Além disso, cito dois outros importantes princípios, estes chamados  organizacionais: descentralização e participação social. Em cada município deste  País há um Conselho Municipal de Saúde, com participação paritária dos usuários, gestores e trabalhadores de saúde, que planejam e fiscalizam a execução das políticas de saúde. A participação social também está presente no nível estadual, por meio dos Conselhos Estaduais de Saúde e no nível central, pelo CNS (Conselho Nacional de Saúde).

Nestes quase 30 anos de existência, o SUS foi responsável pela melhoria de importantes indicadores de saúde, como a Mortalidade Infantil, que caiu aproximadamente 80% nesse período, e a expectativa de vida que teve um incremento de 10 anos. Outros números merecem destaque. O Brasil possui o maior sistema público de transplantes no mundo. Somente no ano 2017 foram realizados 5.929 transplantes renais e 2.109 transplantes de fígado. Além disso, são aproximadamente 1,5 bilhões de consultas com profissionais da saúde por ano, 2 milhões de partos, 150 milhões de atendimentos pela SAMU e um dos maiores programas de assistência farmacêutica, incluindo uma ampla cobertura vacinal e de tratamentos de alto custo, sem considerar, ainda, o tratamento de doenças como HIV/AIDS e outras negligenciáveis.

E quais são as perspectivas futuras? O que pode esperar o SUS no seu aniversário de 30 anos?

Desde que ocorreu o impeachment da presidenta Dilma, em 2016, o que não podemos nomear de outra forma a não ser um Golpe, praticado por atores do parlamento brasileiro, da mídia, do judiciário e das classes mais abastadas, o meu/teu SUS está “agonizando na UTI”.

A saúde está entre as primeiras queixas da população manifestando as consequências dos sucessivos cortes ao seu financiamento. É preciso reafirmar que o nível de investimento em saúde é insuficiente, seja comparando com  experiências internacionais, seja observando o gasto privado per capita e a renda média brasileira. O investimento em saúde, no Brasil, é de aproximadamente 4%, muito aquém dos 10% defendidos pelo Projeto Popular chamado “Saúde+10”. E vem caindo…

O subfinanciamento crônico do SUS tem impedido a consecução de seus objetivos e princípios constitucionais. Para além da condição crônica de subfinanciado, o futuro próximo do SUS já está sob as sombras da Emenda Constitucional (EC) 95, que estabelece teto para os gastos públicos. Na prática, significa a impossibilidade de o SUS cumprir seus desígnios constitucionais para garantia da saúde como direito universal. Estima-se que a aplicação dessa EC retirará do SUS aproximadamente R$ 400 bilhões em 20 anos. Um importante programa de acesso a medicamentos, o “Farmácia Popular do Brasil” já está recebendo menos investimentos e um dos pilares do programa, a “Rede Própria” já foi encerrado, permanecendo apenas a “Rede Conveniada”, com forte tendência de encolhimento.

Para finalizar,  existe um sólido movimento articulado entre empresários do setor saúde, capitaneado pelos planos de saúde, para reduzir o tamanho e a importância do SUS. Realizou-se no dia 10/04/18, em Brasília, o “1º Fórum Brasil – Agenda Saúde: a ousadia de propor um Novo Sistema de Saúde”, organizado pela Federação Brasileira de Planos de Saúde, com participação do Ministério da Saúde, de deputados e senadores. Durante o evento, foi apresentada proposta de desmantelamento do SUS pela via do estrangulamento de seu financiamento.

Diante do cenário que se apresenta, UNAMO-NOS, antes que a nossa SAÚDE esteja definitivamente na UTI. Com o SUS agonizando, certamente as desigualdades sociais aumentarão; teremos mais mortes evitáveis; doenças infectocontagiosas sem prevenção e tratamento; políticas consolidadas como a de transplantes e a de assistência farmacêutica em “xeque” e redução na empregabilidade no setor saúde.

É indiscutível que o desenvolvimento de uma nação passa por um sistema de saúde competente, com financiamento suficiente e que entrega qualidade de vida para o seu povo.

O SUS é nosso! Precisamos defendê-lo com todas as nossas forças.