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16 Dias de Ativismo: Campanha mundial chama atenção para violência contra a mulher

Campanha mundial tem adesão de 160 países

A campanha mundial “16 dias de Ativismo de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres” busca conscientizar a população sobre os diferentes tipos de agressão contra as meninas e mulheres em todo o mundo. 

Diversos atores da sociedade civil e poder público se unem nesta mobilização anual, que tem a adesão de 160 países. No Brasil, a campanha foi realizada pela primeira vez em 2003. 

Ela é realizada, mundialmente, entre 25 de novembro, Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher, e 10 de dezembro, data em que foi proclamada a Declaração Universal dos Direitos Humanos, também tem o objetivo de propor medidas de prevenção e combate à violência, além de ampliar os espaços de debate com a sociedade. 

Apresentando calendários adaptados à realidade de cada país, no Brasil, considerando a dupla vulnerabilidade da mulher negra, a campanha inicia-se no dia 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, e se estende até o dia 10 de dezembro, passando pelo 6 de dezembro, Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres.

Ao todo, são 16 compromissos, um por dia, cujas ações variam em não se calar diante da violência de gênero até nunca culpar as mulheres por serem vítimas de abuso ou qualquer outro tipo de violência, passando pela conscientização que a violência contra elas não é somente a física.

Homens pelo fim da violência

Um das ações mais significativas da campanha ocorre em 6 de dezembro, Dia da Mobilização de Homens pelo Fim da Violência Contra as Mulheres. A data remete ao massacre de 14 estudantes mulheres da Escola Politécnica de Montreal, Canadá, em 1989, por Marc Lepine, que ordenou que todos os homens saíssem de uma sala de aula antes de executar as vítimas.

Subcomissão debate o tema em Caxias

Em Caxias do Sul, uma das atividades inseridas na programação da campanha foi uma reunião extraordinária da Subcomissão Permanente pelo Fim da Violência contra as Mulheres, presidida pela vereadora Ana Corso (PT), no dia 27 de novembro. 

A marca de seis feminicídios (assassinatos de mulheres) em Caxias neste ano e a oposição à proposta de emenda constitucional (PEC) 181, que proíbe o aborto mesmo em caso de estupro, foram enfatizadas no encontro.

Vanius Corte, que é auditor fiscal do Ministério do Trabalho em Caxias do Sul, classificou a proposta como absurda. Lamentou a tendência de se desmerecer a mulher, principalmente no mundo do trabalho.

Já a advogada Mônica Montanari procurou desmistificar que dificuldades de contratação de mulheres se dariam por licenças-maternidade ou pela chamada TPM (tensão pré-menstrual). Conforme ela, em média, a cada três faltas delas ao expediente, uma se deve a problemas com violência, em casa. A presidente da União Brasileira de Mulheres, Lourdes Zabot Elias, clamou pelo fim da opressão.

A coordenadora municipal de Mulheres, Débora Schmidt, lastimou as cerca de 1.300 medidas protetivas, emitidas neste ano à vítimas de violência e maus tratos, apenas em Caxias. Para ela, é preciso ampliar a difusão da Lei Maria da Penha, conferindo maior autonomia à mulher. “Infelizmente, muitas ainda admitem as agressões por serem sustentadas pelos maridos”, contou.

Documentário “Marias” chama ao debate

Outras atividades estão sendo propostas pela Prefeitura Municipal, inseridas na campanha “16 Dias de Ativismo”. Entre elas está a exibição do documentário “Marias”, idealizado pela artista plástica, atriz e produtora de cinema Carine Panigaz. 

O cine debate vai contar com as debatedoras Bruna Letícia de Oliveira dos Santos, Claudete Bugante, Fernanda Facchin Fioravanzo, Giovana Mazzochi e Mônica Montanari. O documentário será exibido na Sala de Cinema Ulysses Geremia, das 19h30 às 22h, no dia 4 de dezembro. 

Dados da violência no Brasil

Segundo a pesquisa “Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil”,  publicada pelo Instituto Datafolha em  março de 2017, uma a cada três brasileiras com 16 anos ou mais foi espancada, xingada, ameaçada, agarrada, perseguida, esfaqueada, empurrada ou chutada nos últimos 12 meses.

Cerca de 40% das mulheres acima de 16 anos sofreram algum tipo de assédio, o que inclui receber comentários desrespeitosos nas ruas (20,4 milhões de vítimas), sofrer assédio físico em transporte público (5,2 milhões) e ou ser beijada ou agarrada sem consentimento (2,2 milhões de mulheres). Além disso, cerca de 66% de pessoas  presenciaram uma mulher sendo agredida fisicamente ou verbalmente em 2016.

Já o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, de 2015 aponta que a cada 11 minutos  uma mulher é estuprada e a cada 7,2 segundos uma mulher é vítima  de violência  no  Brasil. Há estimativas de que esses seja o registro de apenas 10% do total dos casos ocorridos.

De acordo com o IPEA com base em dados de 2011 do Sistema de Informações de Agravo de Notificação do Ministério da Saúde, cerca de 70% das vítimas de estupro são crianças e adolescentes. O crime é cometido principalmente por homens próximos às vítimas.

Saiba mais:

Em 1991, 23 mulheres de diferentes países, reunidas pelo Centro de Liderança Global de Mulheres(Center for Women’s Global Leadership - CWGL), lançaram a Campanha dos 16 dias de ativismo com o objetivo de promover o debate e denunciar as várias formas de violência contra as mulheres no mundo.

 As participantes escolheram um período de significativas datas históricas, marcos de luta das mulheres, iniciando a abertura da Campanha no dia 25 de novembro - declarado pelo I Encontro Feminista da América Latina e Caribe (em 1981) como o dia Internacional de Não Violência Contra as Mulheres - e finalizando no dia 10 de dezembro - dia Internacional dos Direitos Humanos.

* Com Câmara dos Deputados, Câmara dos Vereadores de Caxias do Sul, Prefeitura de Caxias do Sul, Governo do Acre,  SindBancários SP e Conselho Federal de Assistência Social.