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A alfabetização no centro do debate educacional

Agência Brasil - PNE: em 2024, todas as crianças devem estar alfabetizadas até o 3.º ano

Incluída na lista das prioridades para os cem primeiros dias do governo de Jair Bolsonaro, a alfabetização é uma pauta que merece ficar no radar dos jornalistas de educação. O tema ganhou um órgão específico no organograma do MEC (Ministério da Educação), a Secretaria de Alfabetização, comandada por Carlos Nadalim, e a expectativa é que, nesse período, sejam anunciadas medidas para a área.

A notícia chegou ao público permeada por um debate em torno dos métodos de alfabetização, pois Nadalim é defensor dos métodos fônicos e promete dar uma guinada na linha das políticas para a área. Ele também é autor de um método de alfabetização e mantém um site de orientação para pais, chamado Como educar seus filhos.

Num vídeo publicado no YouTube, Nadalim fala sobre os problemas que enxerga nas atuais políticas na área da alfabetização, inclusive na BNCC (Base Nacional Comum Curricular). Para ele, o principal deles seria o fato de as políticas e documentos oficiais adotarem uma base construtivista, ou seja, proporem que a alfabetização se dê em conjunto com o letramento.

A alfabetização pode ser definida como processo de compreensão do código que opera a transposição de sons (fonemas) em letras (grafemas), formando sílabas, palavras, frases etc.. Já o letramento pode ser explicado como a aprendizagem das funções sociais da língua, ou seja, a compreensão das diversas funções da língua nos mais diferentes contextos (anotações, cartas, notícias, relatórios, poemas, entre tantos outros).

Em poucas palavras, o argumento do novo secretário de Alfabetização do MEC é o de que, desde os anos 1980, os documentos oficiais induzem à uma sobrevalorização do letramento em detrimento da alfabetização propriamente dita. Esta seria para ele a causa do baixo nível de aprendizagem das crianças em leitura e escrita, pois elas se veem frente a uma diversidade de textos, sem o domínio do código que permitiria a compreensão desse material.

Nessa perspectiva, a solução em debate seria mudar o método, priorizando os chamados métodos fônicos, que enfocam o ensino do código (formação de sílabas e palavras por meio da associação de sons e letras), em detrimento dos ditos “métodos globais”, que trabalham a alfabetização simultaneamente ao desenvolvimento da capacidade de compreensão dos textos.

O posicionamento de Nadalim, alinhado com as declarações do ministro Ricardo Vélez Rodríguez sobre o status de prioridade que sua gestão atribuirá à alfabetização, tem despertado reações na área da educação.

A ABAlf (Associação Brasileira de Alfabetização) divulgou um manifestoassinado por 120 grupos de pesquisa e organizações sociais em defesa das múltiplas abordagens metodológicas para a alfabetização, chamando a atenção para os avanços que o país vem alcançando ao longo do tempo e para a complexidade envolvida no processo.

Na mídia, muitos veículos repercutiram a polêmica, entre eles a BBC, que publicou uma matéria sobre os métodos de alfabetização, e a Nova Escola, que entrevistou Magda Soares, fundadora do Ceale (Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita) da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e referência no campo da alfabetização no país.

 Jeduca